sábado, 31 de maio de 2025

 

Falta de ausência

 

Calma... desesperadora.

Aprendi a disfarçar.

Chama-se: arte da ausência.

Sobrevivo sem qualquer expectativa.

Levo de costas toda a minha vida.

Não nas costas...

Deixo-a ir sozinha.

Não faço esforço nenhum.

Sigo leve, bela e conformada.

Sou como água.

Insípida.. incolor... inodora.

Estou igualzinha ao pote onde me colocaram agora.

Sim... sou fraca e mentirosa.

Derrotada.

Cansada.

Já fui de suplicar...

Em noite sem estrelas.

Hoje me contento em aceitar.

Me aquieto dos e nos desertos.

Até acredito na mais cretina das promessas.

Só, sigo.

Sigo, só...

E sem pressa.

 

 

Imenso céu azul 

E essas nuvens que vagueiam pelo céu a esconder o imenso e azul véu. 

Olho e vejo formas.

Às vezes formas disformes que nada formam ao meu olhar.

Um amontoado a mudar de forma e posição...

 

Sigo entre esses sentimentos diversos.

Queria colocá-los em versos.

Mas eles vão mudando... se transformando... outras cores tomando.

 

Nunca chego a um porto.

Não jogo âncora ao mar.

Estou eternamente a navegar.

Ondulante respiração.

Acelerado o bater do coração.

Ondas a me jogar... daqui pra lá... de lá pra cá.

Alternância entre o alto e o baixo.

Alternância entre a paz e o desespero.

Quero um lugar de calma pra minh’alma repousar...

Do lado de lá do mar?

Em outra geografia?

Na poesia?

 

 

 

Alma cósmica

 

Ah! Essa faça falsa calma.

Tens um turbilhão em teus pensamentos.

Empurras-me cada vez mais para um buraco sem fim. Pobre de mim.

 

Que faço?

Mudo minha rota?

desisto desta calma desesperada  que estás tentando me impor?

ou me encaixo nela...

Estou com minha alma cósmica perdida.

Da vida não consigo mais encontrar a saída.

Encolho-me toda.

Dedico-me às escritas amenas?

Apenas a duras penas...

Sinto vontade de chorar até não sobrarem lágrimas.

 

Por que me mostrastes um mundo que não poderia me aquecer...

Um mundo cheio de tristezas que eu só queria esquecer.

Tenho defeitos demais.

Ah! Eu só queria voltar atrás.

Fixar-me naquele mundo opaco,

habitado por seres itinerantes.

Por que não volta tudo a ser como antes?

Choro. (eu sei que de nada adianta, mas choro...)

 


Alma cósmica

 

Ah! Essa faça falsa calma.

Tens um turbilhão em teus pensamentos.

Empurras-me cada vez mais para um buraco sem fim. Pobre de mim.

 

Que faço?

Mudo minha rota?

desisto desta calma desesperada  que estás tentando me impor?

ou me encaixo nela...

Estou com minha alma cósmica perdida.

Da vida não consigo mais encontrar a saída.

Encolho-me toda.

Dedico-me às escritas amenas?

Apenas a duras penas...

Sinto vontade de chorar até não sobrarem lágrimas.

 



 

É só mais um dia

 

Lentamente.

Meus olhos se abrem... sem pressa.

Vagarosamente.

Desperto para mais um dia.

Quero vivê-lo com alegria.

Devagar é meu despertar.

O sol entra por uma fresta da janela.

Abro-a devagar...

Quero a luminosidade do dia saborear.

 

Calmaria.

 

Só o cantar de um pássaro lá longe.

Uma nuvem cobre ligeiramente o sol.

As sombras no quarto desaparecem.

 

Tudo se sombreia.

 

É chuva que vem?

 

Um vento forte sopra.

As nuvens vão sombrear outro lugar.

 

Hoje o sol quer o dia todo todo o meu dia iluminar.

 

quinta-feira, 29 de maio de 2025

 

Meu caminho

Ouço o murmúrio das águas que

Ou... me contente em nada brotam na fonte no meio de uma floresta.

Um igarapé à minha frente.

Mergulho.

As águas límpidas e frias me envolvem.

Minha paz milagrosamente me devolvem.

Ouço um sussurro.

Onde nasce o rio as águas me dizem.

O destino elas não me revelam.

Eu que ande.

Eu que procure.

saber.

As águas são sábias.

Talvez seja melhor mesmo do futuro caminho nada saber.

O melhor mesmo é se deixar levar.

Um passo de cada vez.

Uma curva de cada vez.

Um empecilho de cada vez.

Haverá um porto?

Pouco importa...

Importa o caminho e a sede de quem irão saciar.

Haverá um caminho... e os passos que irei dar.

 

 

Toda tempestade termina no mar

 

Mesmo a hora sendo ruim...

Mesmo sendo duro o caminhar...

Sempre há um jeitinho de esperançar.

 

A dor está bem doída.

Está demorando cicatrizar a ferida?

 

Chore...

 

Deixe as lágrimas escorrerem.

Deixe-as lavarem a alma...

Como uma tempestade passando...

Tudo limpando.

Tudo curando.

 

E vai passar.

 

Toda tempestade termina no mar.

 

 

 

 

 

 

Podes optar 

Podes optar.

Andar pela direita...

Ou pela esquerda enveredar.

Podes mudar de opinião.

Agir com a razão...

No momento seguinte dar preferência ao coração.

A linha do horizonte pode ser o melhor guia a te guiar.

 

quarta-feira, 28 de maio de 2025

 

O espelho a tudo espelhar

 

O espelho a tudo espelhar...

Tudo no mesmo lugar... mas não no mesmo lugar.

Está ele no lugar da ilusão da consciência humana...

Mostra a fantástica cena raptada de outros lugares de imagens multifacetadas.

 

Vejo o sol iniciando sua descida na linha do horizonte.

No espelho, lentamente o objeto vai perdendo a nitidez do que nele está espelhado.

As cores vão se pagando.

Um cinza de tudo conta tomando.

O cenário vai se transformando.

 

E o espelho vai sua realidade apagando.

Um sorriso se quebra.

O espelho parte-se em fragmento de ideias.

Tudo o que nele está parte.

Nada mais dele faz parte.

Sobram os pirilampos da noite...

 

Todos os obstáculos,
cordilheiras, colinas, desertos – ninguém por perto... areia a tudo nublar...
costas sem portos para aporta, um lugar de chegada encontrar.
caminhos insuetos,
travessas sem saída... nem tente atravessar, você só terá a opção e volta voltar...
as mais abruptas subidas...
trilhas abandonadas, que não servem pra guiar mais nada...
caminhos que levam a coisa nenhuma,
rios caudalosos,
curvas tortuosas
descidas perigosas...

Só não solte minha mão,
não vou deixar você perder a razão.

Guio-te com o coração.

 

Faço versos

 

O tempo passou.

O efêmero da vida me ensinou...

Vejo agora o transitório do Universo.

Faço versos.

Uma tentativa ingênua de segurar o tempo.

Sopra o vento.

Só calmas brisas...

Ressaltam o azul sereno

Por detrás de nuvens transparentes...

 

Sinto o cheiro do mar.

Trago nas mãos o salgado do mar.

Trago nos pés a areia da praia por onde me fartei de tanto caminhar

Trago nos cabelos o cheiro do mar.

Sigo a maresia.

Sinto o ar a maresiar.

Sou ondas de sonho entre terra, ar e mar.

 

Não importam quantos passos

 

Enfrento obstáculos.

Não importam quantos passos.

Às vezes nem penso nas consequências.

Ajo. Venha o que vier... paciência.

 

De nada me arrependo.

Tudo sempre algo me ensina.

 

Seguir sem medo de errar.

Seguir sem vergonha de me atrapalhar.

Seguir sem preguiça de recomeçar.

 

Sigo.

Às vezes alcanço o que busco.

Às vezes não consigo.

 

E está tudo bem... não sou vidente pra acertar sempre no alvo o que está à minha frente 😉

 

 

Ah! Eu poderia ter te amado...

 

Minha vida seguiu sempre por linhas tortas.

Me equilibrava eu nelas como uma viva morta.

 

Teu olhar... tuas palavras... teu carinho.

Encontrei em ti um lar... um ninho.

Foi muito aconchego.

 

Foi...

 

Agora vejo que olhei tudo com olhos de pura esperança...

Esperança de que nas minhas andanças haveria amor reservado pra mim.

Que eu teria o sossego de um abraço enfim.

 

Enfim.

Fim.

Me enganei.

No ziguezague da sua vida eu só era uma rua sem saída.

 

Você deu a volta... e voltou...

Voltou pro seu lugar de conforto.

Hoje só consigo acreditar, olhando pra mim, 'que pau que nasce torto morre torto' (muito triste isso).

 

Eu só queria minhas vias tortas endireitar.

Ah! Como eu poderia te amar.

 

Siga em paz!

Sei de tudo o que você é capaz.

 

 

 

Todos os obstáculos,
montanhas, desertos,
mares sem portos
caminhos insólitos,
becos sem saída...
as mais íngremes subidas...
trilhas abandonadas,
caminhos que levam a nada,
rios caudalosos,
curvas sinuosas
descidas perigosas...

Só não solte minha mão,
não vou deixar você perder a razão...

 

 

 

Tenho tido tudo e nada.

Muitas quedas de juízo.

O coração às vezes falha.

Nada que me cause prejuízo.

 

Tenho tido noite insones.

Nos meus braços machucados

vê-se um esforço enorme de sobrevivência.

Nos meus pés feridos

vê-se um coração tão descolorido...

tão destituído de esperança.

Tão batendo apenas por insistência.

 

 

 

Assim que abri os olhos

vislumbrei o tempo que passou.

Vi meus círculos de convivência.

Vi minhas tentativas de sair do lugar comum.

Vi minhas mãos tateando paredes ásperas em busca de novos cantos.

Queria, pra mim, mais encanto.

Envelheci.

O tique-taque do relógio marcou  cada segundo do que passou... do que por mim passou.

E eu saí por aí procurando novas formas.

O círculo já não mais me bastava.

Andei... andei... andei.

Só não sabia que a reta um dia acabava.