Estou cansada... noite mal dormida... insônia que persiste... uma vozinha lá no fundo a me perguntar: por que você insiste?
O cansaço é uma coisinha astuta... ele me assusta. Me assusta porque não chega de forma explosiva, mas se insinua nos pixels das telas, nos zumbidos das notificações e nas listas intermináveis de tarefas. É um cansaço que se apresenta como produtividade, sussurrando promessas de descanso futuro enquanto me consome no presente. Minha alma, que antes era jardim, hoje se transformou em pastagem seca sob o sol implacável das demandas urgentes eternamente presentes. E olha que já tentei de tudo: yoga... caminhadas em meio a um verde exuberante... corrida na beira da praia... inclusive, me aventurei na câmara anecoica dos Laboratórios Orfield, em Minneapolis, Minnesota, EUA... onde, praticamente, entrei em pânico... silenciosamente!
Preciso necessariamente desaprender a pressa, redescobrir o prazer do ócio e permitir que a vida aconteça além dos algoritmos... quero que minha vida aconteça naturalmente... que o dia e a noite tragam um descanso pra minha mente. Acredito que só assim o cansaço irá perder sua intensidade dentro de mim e recuperarei o ritmo do meu próprio compasso... e viverei assim: um passo... outro passo...
E passo