Heresias
No inverno das heresias, uma plateia
exuberante se agita.
Cânticos seculares ecoam, ressoando em cada esquina do mundo perdida.
Sombras dançam sob as luzes pálidas, esquálidas...
traçando histórias de vida sem sentido, sem razão... de dor, uma imensidão.
Mistérios envoltos em névoa, no silêncio
que nunca se finda...
Tristemente insiste em bater o coração.
Orquestram-se sons difusos pelas vielas
fazendo coro à mais uma vida que pouca vida tem ainda.
E a brisa traz murmúrios, segredos sussurrados ao luar, degredos... tudo cheira
a medo...
a desesperança floresce entre as fissuras, e o frio teima em reinar.
Cada nota, um lamento, cada verso, um
doloroso despertar,
Na sinfonia do inverno, a alma nem se atreve mais a sonhar.
Heréticos são os sonhos que desafiam a escuridão,
E na plateia vibrante, arrepios constantes... aplausos inaudíveis às sombras
arquitetadas de personagens – no espelho do tempo não se reflete nenhuma
imagem.
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