segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

 

Um conto de Natal

 

É dezembro. Os dias estão mais compridos, o sol demora a desaparecer na linha do horizonte. As ruas da cidadezinha, as praças, e muitas casas começam a pirilimpipar luzinhas coloridas... árvores também piscam... piscam...

As ruas estão mais movimentadas... gente pra lá e pra cá. Pacotes coloridos em todo lugar.

E as vitrines das lojas!!! Que maravilha... como as pessoas amam deixar tudo tão lindo quando dezembro chega e se aproxima a época mais feliz do ano – o Natal.

Pedro Luiz conhece todas as ruas de sua cidadezinha... já brincou em todas as pracinhas... jogou futebol na areia da praia... tomou muito banho de mar na praia que despeja suas ondas bem em frente da casa onde mora.

Seu pai é pescador. Sua mãe cuida de tudo em casa... comida gostosa, roupa cheirosa, machucados bem cuidados e até o ajuda quando complica o dever de casa passado pela professora.

Pedro Luiz gosta de estudar, gosta de ler... toda semana passa na biblioteca de sua escola e leva pra casa um livro emprestado. Pedro Luiz é um bom menino: obediente, estudioso, amável... e até já ajuda seu pai a lavar o barquinho, limpar os peixinhos... e faz tudo com muito carinho.

Pedro Luiz tem 8 anos. Já enviou três cartas ao Papai Noel em Natais anteriores... mas a sua bicicleta nunca chegou em sua casa.

- ‘Ah! Papai Noel esteve muito ocupado... ou... minha cartinha não chegou – afinal o Polo Norte é tão longe’... e vai criando mil opções pela cartinha não respondida.

Mas ele não perde a esperança. Todo dia, no caminho da escola, passa em frente à loja que vende brinquedos e lá está a sua tão amada bicicleta... ‘uma hora Papai Noel vai atender meu pedido’, pensa ele toda vez que a vê e seus olhos brilham como as luzinhas que enfeitam a cidade.

Neste Natal Pedro Luiz teve uma ideia genial. ‘E se eu enviar um Whatsapp pro Papai Noel... com certeza ele vai ler e vai me atender’.

Mas, Pedro Luiz não tem celular.

A ideia não sai de sua cabeça. Como resolver?

Um dia, ele criou coragem, entrou na loja e explicou a situação pra um vendedor, que o ouviu atentamente com um sorrisinho de quem já havia ouvido aquela história dezenas de vezes por muitas outras crianças. Afagou o menino e foi atender um cliente.

Pedro Luiz entendeu que aí não havia encontrado a solução. Fazer o quê?

Só que a vontade de pedalar por aquelas ruas sentindo o vento bater forte em seu rosto era muito... mas muito forte. Então, no dia seguinte, reuniu mais um pouco de coragem, entrou na loja, procurou o vendedor e perguntou pra ele se ele poderia enviar uma mensagem pro Papai Noel  do seu celular.

O vendedor já estava pronto pra dizer um sonoro não... mas se lembrou de quando era criança e dos momentos em que vários de seus sonhos tinham ido água abaixo em direção ao mar.

Resolveu resolver a situação de Pedro Luiz. Escreveu uma mensagem ditada pelo menino, mandou pra si mesmo e falou:

- OK, Pedrinho... feito. Agora vamos esperar.

A semana inteira Pedro Luiz passou na loja e nada de uma resposta positiva... nada de nada. Será que seu sonho iria se afundar mais uma vez?

Os dias passaram e chegou a véspera de Natal. Nada! Absolutamente nada!

Não havia outro jeito a não ser se conformar. Quem sabe no próximo Natal?

A mãe preparou uma ceia gostosinha, convidou tios e tias, primos e primas de Pedro Luiz e estavam ao redor da mesa para saborear as delícias que estavam sobre a mesa.

Toc... toc.. toc...

O pai abre a porta... ‘será que hoje teremos algum vizinho por aqui também?’ – pensou.

- Ho... ho... ho... boa noite pessoal... é aqui a casa do Pedro Luiz? Tenho uma encomenda pra ele.

E tirou do carro uma caixa enorme com um laço de fita maior ainda. Todos ficaram surpresos... ninguém na família teria dinheiro pra comprar um presente daquele tamanho.

Pedro Luiz correu, segurou o pacote (com ajuda do Papai Noel), rasgou o papel, abriu aquela caixa enorme e.... sim... a sua bicicleta chegara.

Nem preciso contar da alegria que foi aquele Natal, não é?

Um Papai Noel disfarçado de vendedor? Ou... Um vendedor disfarçado de Papai Noel.

Não importa, né!?

 

Rosangela Calza

 

É Natal!

Os sinos repicam alegremente,
Crianças brincam contentes,
E esperam, ansiosas, pelo melhor momento:
A hora de abrir seus presentes.

É Natal!

As estrelas de seu melhor brilho se vestem,
Os homens aos céus por tudo agradecem humildemente.
Uma criança solitária faz sua prece:
Ao lado da cama quer encontrar um presente.

É Natal!

Pinheirinhos enfeitados,
Festas pra todo lado...
Presentes, presentes e mais presentes...
É tanta celebração que tantos do mais importante se esquecem
Jesus...
A razão de o Natal ser comemorado:
pra própria festa, muitas vezes, Ele nem é convidado.

E na sua festa... Jesus entrará!?


 

 

 

Do meu poetar

 

Há um poeta que vive em mim...

Um poeta que escreve versos sobre a dura realidade.

Um poeta que deixa de lado toda a vaidade.

Se desnuda.

Nunca deixa sua voz embalar-se muda.

 

Há em mim um poeta que vive...

Um poeta que revira o submundo...

Que dos oceanos vai até o fundo...

Que respira o ar imundo das ruelas escuras... sem saída... vazias de sentido... repletas de gente que buscam pra vida um sentido.

Linha... linha... linha...

 

Com as cartas que tenho não vejo muita chance de tornar todas as manhãs em manhãs de setembro.

Mas não me rendo.

 

Jogo minha vida.

Jogo palavras ao vento.

Jogo com o que tenho.

 

As gentes ouvem.

Dizem palavras ocas...

Ecoam... ecoam... ecoam.

Me encostam na parede.

Me secam a garganta.

Grito um grito mudo.

É o que me resta.

Mudar o mundo não mudo.

Mas não fico mudo.

 

Sopro levemente um ar de esperança.

Não perco a esperança de que alguém esse ar ainda alcança.

 

 

domingo, 7 de dezembro de 2025

 

 

Do meu poetar

 

Há um poeta que vive em mim...

Um poeta que escreve versos sobre a dura realidade.

Um poeta que deixa de lado toda a vaidade.

Se desnuda.

Nunca deixa sua voz embalar-se muda.

 

Há em mim um poeta que vive...

Um poeta que revira o submundo...

Que dos oceanos vai até o fundo...

Que respira o ar imundo das ruelas escuras... sem saída... vazias de sentido... repletas de gente que buscam pra vida um sentido.

Linha... linha... linha...

 

Com as cartas que tenho não vejo muita chance de tornar todas as manhãs em manhãs de setembro.

Mas não me rendo.

 

Jogo minha vida.

Jogo palavras ao vento.

Jogo com o que tenho.

 

As gentes ouvem.

Dizem palavras ocas...

Ecoam... ecoam... ecoam.

Me encostam na parede.

Me secam a garganta.

Grito um grito mudo.

É o que me resta.

Mudar o mundo não mudo.

Mas não fico mudo.

 

Sopro levemente um ar de esperança.

Não perco a esperança de que alguém esse ar ainda alcança.

 

Escrevo

 

Estou cá a escrever...

Uma tela de computador em branco que pouco a pouco vai se enchendo de letrinhas pretas... que formam palavras... frases... versos...

 

Uma nova poesia.

Escrevo porque li algo que me chamou a atenção.

Preciso dissertar sobre... não consigo deixar as palavras presas na minha garganta... podem elas me sufocar!

Meus dedos não são tão rápido como o meu pensar...

 

Às vezes a ideia some.

Paro.

Releio o que escrevi em busca do que há pouco estava tão claro a ser dito...

 

Às vezes aquela ideia escafede-se para todo o sempre.

Preciso mudar a direção.

Mas não posso parar até o texto a seu fim chegar.

Então, na verdade, nunca sei se o texto terminado, foi o (im)planejado.

 

Pode ser que sim... pode ser que não.

 

Escrevo porque preciso me libertar do barulho das palavras... das ideias em minha cabeça.

Preciso que minha mente fique leve... para ter mais clareza – que dura pouco, porque logo depois outra ideia nela se aninha... pra rapidamente criar asas e querer voar.

 

Escrevo porque, se a inspiração chega, ela, necessariamente, quer seguir adiante em forma de versos... de frases... se não seguir, irá me domar. E eu sou rebelde demais pra deixar algo me dominar. Então, muitas das vezes, minha escrita é uma forma de eu me rebelar. Solto as amarras... navego por ora mares revoltos, ora calmos. Isso até um porto seguro encontrar.

 

Escrevo sobre coisas que nem sinto... mas, por feedbacks recebidos, o meu escrito fez outros sentirem... entrou no coração o que foi pelos olhos lido.

 

Eu vivo e escrevo. Eu escrevo e vivo.

 

Então, eu escrevo... eu escrevo... eu escrevo...

Indefinidamente para todo o sempre.

 

Sim, sei que exagerei aí no último verso (amoooo hipérboles)...

 

Pode, você, me dar um desconto, please? Ser comigo condescendente? Afinal, eu apenas escrevo o que meio mundo sente 😉

 

Rosangela Calza