segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

 

Um conto de Natal

 

É dezembro. Os dias estão mais compridos, o sol demora a desaparecer na linha do horizonte. As ruas da cidadezinha, as praças, e muitas casas começam a pirilimpipar luzinhas coloridas... árvores também piscam... piscam...

As ruas estão mais movimentadas... gente pra lá e pra cá. Pacotes coloridos em todo lugar.

E as vitrines das lojas!!! Que maravilha... como as pessoas amam deixar tudo tão lindo quando dezembro chega e se aproxima a época mais feliz do ano – o Natal.

Pedro Luiz conhece todas as ruas de sua cidadezinha... já brincou em todas as pracinhas... jogou futebol na areia da praia... tomou muito banho de mar na praia que despeja suas ondas bem em frente da casa onde mora.

Seu pai é pescador. Sua mãe cuida de tudo em casa... comida gostosa, roupa cheirosa, machucados bem cuidados e até o ajuda quando complica o dever de casa passado pela professora.

Pedro Luiz gosta de estudar, gosta de ler... toda semana passa na biblioteca de sua escola e leva pra casa um livro emprestado. Pedro Luiz é um bom menino: obediente, estudioso, amável... e até já ajuda seu pai a lavar o barquinho, limpar os peixinhos... e faz tudo com muito carinho.

Pedro Luiz tem 8 anos. Já enviou três cartas ao Papai Noel em Natais anteriores... mas a sua bicicleta nunca chegou em sua casa.

- ‘Ah! Papai Noel esteve muito ocupado... ou... minha cartinha não chegou – afinal o Polo Norte é tão longe’... e vai criando mil opções pela cartinha não respondida.

Mas ele não perde a esperança. Todo dia, no caminho da escola, passa em frente à loja que vende brinquedos e lá está a sua tão amada bicicleta... ‘uma hora Papai Noel vai atender meu pedido’, pensa ele toda vez que a vê e seus olhos brilham como as luzinhas que enfeitam a cidade.

Neste Natal Pedro Luiz teve uma ideia genial. ‘E se eu enviar um Whatsapp pro Papai Noel... com certeza ele vai ler e vai me atender’.

Mas, Pedro Luiz não tem celular.

A ideia não sai de sua cabeça. Como resolver?

Um dia, ele criou coragem, entrou na loja e explicou a situação pra um vendedor, que o ouviu atentamente com um sorrisinho de quem já havia ouvido aquela história dezenas de vezes por muitas outras crianças. Afagou o menino e foi atender um cliente.

Pedro Luiz entendeu que aí não havia encontrado a solução. Fazer o quê?

Só que a vontade de pedalar por aquelas ruas sentindo o vento bater forte em seu rosto era muito... mas muito forte. Então, no dia seguinte, reuniu mais um pouco de coragem, entrou na loja, procurou o vendedor e perguntou pra ele se ele poderia enviar uma mensagem pro Papai Noel  do seu celular.

O vendedor já estava pronto pra dizer um sonoro não... mas se lembrou de quando era criança e dos momentos em que vários de seus sonhos tinham ido água abaixo em direção ao mar.

Resolveu resolver a situação de Pedro Luiz. Escreveu uma mensagem ditada pelo menino, mandou pra si mesmo e falou:

- OK, Pedrinho... feito. Agora vamos esperar.

A semana inteira Pedro Luiz passou na loja e nada de uma resposta positiva... nada de nada. Será que seu sonho iria se afundar mais uma vez?

Os dias passaram e chegou a véspera de Natal. Nada! Absolutamente nada!

Não havia outro jeito a não ser se conformar. Quem sabe no próximo Natal?

A mãe preparou uma ceia gostosinha, convidou tios e tias, primos e primas de Pedro Luiz e estavam ao redor da mesa para saborear as delícias que estavam sobre a mesa.

Toc... toc.. toc...

O pai abre a porta... ‘será que hoje teremos algum vizinho por aqui também?’ – pensou.

- Ho... ho... ho... boa noite pessoal... é aqui a casa do Pedro Luiz? Tenho uma encomenda pra ele.

E tirou do carro uma caixa enorme com um laço de fita maior ainda. Todos ficaram surpresos... ninguém na família teria dinheiro pra comprar um presente daquele tamanho.

Pedro Luiz correu, segurou o pacote (com ajuda do Papai Noel), rasgou o papel, abriu aquela caixa enorme e.... sim... a sua bicicleta chegara.

Nem preciso contar da alegria que foi aquele Natal, não é?

Um Papai Noel disfarçado de vendedor? Ou... Um vendedor disfarçado de Papai Noel.

Não importa, né!?

 

Rosangela Calza

 

É Natal!

Os sinos repicam alegremente,
Crianças brincam contentes,
E esperam, ansiosas, pelo melhor momento:
A hora de abrir seus presentes.

É Natal!

As estrelas de seu melhor brilho se vestem,
Os homens aos céus por tudo agradecem humildemente.
Uma criança solitária faz sua prece:
Ao lado da cama quer encontrar um presente.

É Natal!

Pinheirinhos enfeitados,
Festas pra todo lado...
Presentes, presentes e mais presentes...
É tanta celebração que tantos do mais importante se esquecem
Jesus...
A razão de o Natal ser comemorado:
pra própria festa, muitas vezes, Ele nem é convidado.

E na sua festa... Jesus entrará!?


 

 

 

Do meu poetar

 

Há um poeta que vive em mim...

Um poeta que escreve versos sobre a dura realidade.

Um poeta que deixa de lado toda a vaidade.

Se desnuda.

Nunca deixa sua voz embalar-se muda.

 

Há em mim um poeta que vive...

Um poeta que revira o submundo...

Que dos oceanos vai até o fundo...

Que respira o ar imundo das ruelas escuras... sem saída... vazias de sentido... repletas de gente que buscam pra vida um sentido.

Linha... linha... linha...

 

Com as cartas que tenho não vejo muita chance de tornar todas as manhãs em manhãs de setembro.

Mas não me rendo.

 

Jogo minha vida.

Jogo palavras ao vento.

Jogo com o que tenho.

 

As gentes ouvem.

Dizem palavras ocas...

Ecoam... ecoam... ecoam.

Me encostam na parede.

Me secam a garganta.

Grito um grito mudo.

É o que me resta.

Mudar o mundo não mudo.

Mas não fico mudo.

 

Sopro levemente um ar de esperança.

Não perco a esperança de que alguém esse ar ainda alcança.

 

 

domingo, 7 de dezembro de 2025

 

 

Do meu poetar

 

Há um poeta que vive em mim...

Um poeta que escreve versos sobre a dura realidade.

Um poeta que deixa de lado toda a vaidade.

Se desnuda.

Nunca deixa sua voz embalar-se muda.

 

Há em mim um poeta que vive...

Um poeta que revira o submundo...

Que dos oceanos vai até o fundo...

Que respira o ar imundo das ruelas escuras... sem saída... vazias de sentido... repletas de gente que buscam pra vida um sentido.

Linha... linha... linha...

 

Com as cartas que tenho não vejo muita chance de tornar todas as manhãs em manhãs de setembro.

Mas não me rendo.

 

Jogo minha vida.

Jogo palavras ao vento.

Jogo com o que tenho.

 

As gentes ouvem.

Dizem palavras ocas...

Ecoam... ecoam... ecoam.

Me encostam na parede.

Me secam a garganta.

Grito um grito mudo.

É o que me resta.

Mudar o mundo não mudo.

Mas não fico mudo.

 

Sopro levemente um ar de esperança.

Não perco a esperança de que alguém esse ar ainda alcança.

 

Escrevo

 

Estou cá a escrever...

Uma tela de computador em branco que pouco a pouco vai se enchendo de letrinhas pretas... que formam palavras... frases... versos...

 

Uma nova poesia.

Escrevo porque li algo que me chamou a atenção.

Preciso dissertar sobre... não consigo deixar as palavras presas na minha garganta... podem elas me sufocar!

Meus dedos não são tão rápido como o meu pensar...

 

Às vezes a ideia some.

Paro.

Releio o que escrevi em busca do que há pouco estava tão claro a ser dito...

 

Às vezes aquela ideia escafede-se para todo o sempre.

Preciso mudar a direção.

Mas não posso parar até o texto a seu fim chegar.

Então, na verdade, nunca sei se o texto terminado, foi o (im)planejado.

 

Pode ser que sim... pode ser que não.

 

Escrevo porque preciso me libertar do barulho das palavras... das ideias em minha cabeça.

Preciso que minha mente fique leve... para ter mais clareza – que dura pouco, porque logo depois outra ideia nela se aninha... pra rapidamente criar asas e querer voar.

 

Escrevo porque, se a inspiração chega, ela, necessariamente, quer seguir adiante em forma de versos... de frases... se não seguir, irá me domar. E eu sou rebelde demais pra deixar algo me dominar. Então, muitas das vezes, minha escrita é uma forma de eu me rebelar. Solto as amarras... navego por ora mares revoltos, ora calmos. Isso até um porto seguro encontrar.

 

Escrevo sobre coisas que nem sinto... mas, por feedbacks recebidos, o meu escrito fez outros sentirem... entrou no coração o que foi pelos olhos lido.

 

Eu vivo e escrevo. Eu escrevo e vivo.

 

Então, eu escrevo... eu escrevo... eu escrevo...

Indefinidamente para todo o sempre.

 

Sim, sei que exagerei aí no último verso (amoooo hipérboles)...

 

Pode, você, me dar um desconto, please? Ser comigo condescendente? Afinal, eu apenas escrevo o que meio mundo sente 😉

 

Rosangela Calza

domingo, 23 de novembro de 2025

Malefícios das redes sociais
Sim, sim... sei que existem benefícios... but aqui não é o foco...
Redes sociais fazem parte integral da vida de milhares de indivíduos, fato inegável. Vidas perfeitas... but a minha não é!
Por quê? Por que razão eu sofro... eu luto... por que eu não tenho essa maravilhosa vida espelhada nas redes sociais por tantos afortunados?
Sei lá...
But tudo bem... lá no fundo eu até sei que as aparências enganam... talvez até nem lá no fundo... eu sei... simplesmente sei que nem tudo é o que aparenta... 😉
But com uma coisa eu tenho dificuldade imensa de me acostumar: "o cyberbullying e os comentários negativos" .... aaaa esses me fazem muito mal!!! E também me faz mal quando esses comentários não são feitos diretamente a mim... são direcionados a outros... a indivíduos desse novo Universo 'invisível' do qual faço parte...
Ontem decidi passear por 'comentários' em posts aleatórios... acredito que mais de 70% desses comentários eram do tipo agressivo, repugnantes... sem nenhum vestígio de simpatia pelo outro - um mero desconhecido (o que me assusta ainda mais) - comentários "sem nenhum vestígio de sentimento humano de fraternidade [...] nesses cérebros ignominiosos"... como diz Thomas Mann.
Aonde vamos parar com esse ódio gratuito? Um ódio gratuito estampado em falas racistas... machistas... 'menosprezistas'... e mais um monte de 'istas'...
Sei lá.... Eu entendo perfeitamente que odiar é uma ação deliberada que não parte do objeto odiado e sim do sujeito que se dispõe a odiar... e sinto pena desses seres que odeiam...
Preciso confessar: tive de fazer um esforço imenso pra não ser farinha do mesmo saco e odiar... odiar esses comentários insalubres... essas piadinhas de mau gosto... essas generalização burras...
É isso... "Mais amor, por favor"... o ódio causa perda de energia do corpo o que altera o equilíbrio interior... então.... então... faz mais mal pra quem odeia do que pra quem é odiado 😉

sábado, 15 de novembro de 2025

 

Calmaria

 

Sempre me disseram que tudo o que estrago em mim causasse passaria…

Nunca me disseram das cicatrizes profundas que cada estrago causaria.

Dor.

Noite escura.

Dor que não se cura.

Secura.

Buraco negro.

Desespero de estar longe de ti.

Tua falta chegou ao limite.

Fixaste em mim tua brevidade…

E eu… eu morro cada dia um pouco mais de tua saudade.

 

Solidão

  

A solidão e o silêncio são a minha liberdade.

Não há em mim qualquer traço de falta de identidade.

Viajo na imensidão do meu universo...

Faço versos.

 

Na minha solidão sou fera selvagem.

Entro pra dentro de mim e fico sem encontrar ninguém durante horas.

A mim mesma em mil pedaços me desfaço...

Envolvo-me no casulo de minha alma.

 

Sim, pra isso é necessário muita coragem:

a linha do buraco negro transpasso.

 

 

Amor em cada verso

Teu sorriso é aurora,
um raio de luz que ilumina minha escuridão.
Nos teus braços, encontro abrigo,
um lar feito de carinho, amor e compreensão.

Cada olhar, um convite à dança,
o tempo a se dissolver em doce melodia.
Tuas carinhosas palavras são canções de esperança,
navegando no mar da minha fantasia.

E se as estrelas um dia se apagarem no céu...
será teu amor o farol a me guiar.
Nas tempestades da vida, serás minha luz,
na travessia do meu temo por aqui, a força a me amparar.

Assim, juntos, seguimos adiante,
escrevendo a maravilha que é nossa história, passo a passo... no mesmo compasso..
Tua essência é meu instante,
cada verso, representando nossos laços.

 

Uma enorme dor

 

Uma fração de tempo

…apenas.

E tudo se esvai

 

Um feixe de luz.

Perdido no espaço da ilusão.

Projetado pela solidão.

 

Amanheço não sentindo

Os sentidos mentindo.

Uma enorme dor

oculta

no meu coração.

 

Alma parida

Nos dias de chuva, a alma parida
sangra o céu com suas densas gotas...
Cada uma delas, uma lembrança perdida,
um vazio imenso, entre hábitos e rotinas.

O som da chuva toca o coração...
revelador de um amor desfeito...
Um eco aterrador, sem direção...
caminhos de um passado desfeito.

A névoa envolve o que já foi...
Cada lágrima caída, um lamento.
A vida, um rascunho avesso ao herói...
em cada esquina, o arrependimento.

Porém, na melodia do assustador temporal,
renascem sonhos, mesmo no confuso e no trovejar obscuro...
E no coração, um brilho ancestral,
a esperança vive, embora em apuro.

 

 

Dias de chuva

Nos dias de chuva, as ruas choram,
rios de água gelada a deslizar...
O frio penetra, abraços que imploram,
cada gota é um lamento a ecoar.

Os guarda-chuvas dançam em sinfonia...
Veste-se de melancolia o coração,
desgosto e tristeza desenham uma sombria poesia...
E o riso se esconde em profunda solidão.

Caminhos encharcados, memórias perdidas...
Almas congeladas, sonhos a vagar...
No reflexo da água, vidas esquecidas,
um inverno eterno a nos atormentar.

Entre ecos de passos e o frio do ar,
sinto nada, apenas o peso a pesar...
Como se a chuva estivesse a me sussurrar:
‘Neste mundo frio, desolado.. molhado, tudo o que há é aprender a amar’.

 

Acredito

 

Quando anoitece

uma luz difusa

paira sobre mim.

 

Uma luz confusa

que ofusca meu caminho do começo ao fim.

 

Entre cacos das quebradas vidraças

nossas verdades e farsas…

Uma fenda enorme que se abre

com um silêncio ensurdecedor...

pensávamos que entre nós era o mais puro amor.

 

 

Nossa verdade!

Tamanha falsidade…

Nada faz sentido

Se em algo eu não acreditar…

Então, acredito que você nunca vai deixar de me amar…

 

Mesmo sentindo o vazio…

Estou a esse amor verdade a creditar.

Talvez apenas um lembrete suave de que a vida se desdobra a cada dia e as surpresas vêm... 😉

 

Máscaras de agonia

Nas sombras da vida, uma dor agoniza...
Gradações de aflição, temor que perdura.
Cada lágrima é um véu que se desfaz,
uma máscara pesada, em busca da paz.

Mas a esperança emerge, como sol radiante...
Em meio ao lamento, um sonho lindo e vibrante.
Caminho pela senda, com passos incertos,
superando os medos, rompendo os desertos.

Em cada fenda do coração ferido, a força do amor torna-se meu abrigo.
As sombras se dissipam, a luz vai brilhar...
Minha vida renasce, pronta a amar.

Por trás das máscaras, há um eu profundo,
capaz de resgatar o brilho inteiro do mundo.
E, assim, a dor se torna inspiração...
Um poema escrito com tinta de emoção.

 

 

Do mar

 

Tanta vida atirada ao mar,
segredos em ondas, mistérios a vagar...
Almas perdidas no profundo abismo,
sussurros de dor, ecoando na imensidão... provocando perigosos sismos.

Valor que não se mede, não se aposta...
Não há prisão que entregue a resposta.
Não há castigo que silencie a voz,
apenas o lamento de quem olha o entorno... e espera o tão esperado retorno.

Silêncio profundo, memória escondida...
Um mar de histórias, mais de uma vida perdida.
O mar guarda os segredos, com seu vai-e-vem,
das almas que sofreram, das que buscam um quê... um porquê... um quem.

Gemidos de angústia nas correntes do ser...
O mar reconhece os fardos, o peso do viver...
Em cada gota, um eco salgado, uma lágrima a fluir,
Tanta vida atirada ao nada... a pergunta que fica: ‘por que persistir?’.

 

Dei-me

 

Os meus retalhos colados, dei-os a ti!
Dei-te tudo que tinha em mim...  

Os teus gestos me enganaram...  perdida
fiquei só no nosso mundo... que não era tão nosso no fim.

De mim dei-te o que tinha,
os meus retalhos colados!
Posso perguntar-te se ainda és meu?
Ou se tu és única e exclusivamente só teu?

Dei-te de mim o que em mim continha,
juntos no amor fomos jurados!
Neste entrelace de corações,
seremos eternos, com milhares de divisões.

 

 Só sobraram mesmo de ti e de mim visões... que me rodeiam feito assombrações.

 

 

A saudade sempre chega

E chega a saudade... e chega sem avisar,
e abre a porta abruptamente, e entra logo,
e sem pedir licença, e sem se importar que coração vai machucar.

Sim, ela tem nome e endereço,
sim, ela tem cheiro de histórias,
sim, ela se entranha em teu ser...
E sim, ela traz lembranças nostálgicas,
de momentos felizes de pretéritos dias.

Há dias que é assim,
que a saudade só quer ficar...
 no coração e na memória firmemente quer se instalar...

Conta de tudo quer só pra si tomar!

E ela sempre machuca...

E ela sempre joga sal nas feridas...

E ela sempre se aloja no peito... e de se livrar você não encontra jeito.


E lá nele fica... ansiando por um lar distante. Tentando transpor forçadamente a barreira do tempo...

Traz pro presente momento o que ficou tão atrás faz tanto tempo.

E continua ela uma pessoa a buscar,
um afeto perdido... quer reencontrar.


Mas é apenas saudade,
totalmente incapaz de transpor
a barreira do tempo.

 

Saudade, por favor, deixe-me em paz. Apague dos seus registros meu endereço...

Eu sei, se você se esforçar, será disso capaz.

 

 

Cartas de amor

 

Verdade, Pessoa... “Todas as cartas de amor são
ridículas”, é verdade sim...

São feito poemas bordados em papel...
Suspiros capturados em palavras.

Que dependendo do olhar significam nada.

“Não seriam cartas de amor”, sim Pessoa,
se não viessem envoltas em um certo
desatino, um brilho nos olhos, desvario...
um sorriso tímido.

Escrevi também, em tempos de paixão,
minhas confissões desenhadas em frases tortas – confesso aqui meus delírios...
Sonhos entrelaçados em tinta e emoção...
Eco de risos nas margens,
contrastando com o peso da saudade.

Ah, como são ridículas,
Essas cartas de amor!


Também, porém, são faróis que iluminam
os caminhos do nosso sentir, são provas de que emoções são passíveis de existir.

Revelam ao mundo lembretes suaves de que tudo vale a pena se há um toque de amor... mostram que no mundo não há apenas dor... (embora, ele se faz presente quando acaba o amor).

 

 Cartas de amor? Poesia pura...
a viver até quando a razão se esconde. Ridículas, sim... só, porém, quando o amor nelas gravado chega ao fim.

 

 

 

 

Tão contente

 

Teu olhar não mente...

Ausente.

Em mim, uma dor pungente.

 

Teu olhar distante...

Ferino.

Sofre meu coração, menino.

 

Saudades.

 

Um tempo de alegria.

Teu olhar presente.

Me fazia tão contente.

 

 

Se decidires

 

Se decidires não me amar,

afasta-te de mim.

 

Procura outro horizonte pra admirar.

Busca outra estrada pra caminhar.

Procura outro jardim pra o perfume das flores sentir.

Busca outro pomar pra outras frutas degustar.

 

Se decidires não me amar...

Afasta teus olhos de mim...

 

Se decidires não me amar

Não te quero por perto pros meus olhos não conseguirem um amor que não me ame neles encontrar.

 

Da não solidão

 

Uma oração por nós dois...

Faço-a agora... não deixo nunca pra depois.

 

O Sol acena adeus mais uma vez.

Despede-se e desaparece na linha do horizonte.

Todo traço de luz se desfaz... em um voo delicado e profano...

Certezas da vida. Nunca nesse fim a engano.

 

Abre-se espaço para a noite escura que chega.

É o tempo em movimento.

Sonho acordada.

Sonhos rebeldes...

 

Sob a cumplicidade das estrelas, eu me acolho nos teus braços...

Desenham-se  formas informes... misturam-se as cores do firmamento.

 

Promessas sempre cumpridas são feitas uma vez mais.

Teus segredos são meus

A paz toma conta do meu coração.

Junto as mãos... faço mais uma oração...

Nelas estão sempre você e eu...

 

Até hoje sempre Deus me respondeu.

 

Sons Ocultos

Em meio aos murmúrios da mente,
palavras benditas florescem,
como sons que desafiam o tempo,
transvestidos de significados nunca antes imaginados.

Nos caminhos decadentes da vida,
cada passo pesa como a última hora,
busco refúgio em ecos latentes,
sonhos escondidos, mas tão evidentes.

 

Que amargor esse descompasso... de todos os estados da alma me sinto enebriada... busco inutilmente uma saída... quem poderá me apontar a melhor direção... a melhor estrada?


As sombras insistem em me visitar nessa eterna penumbra,
encobrindo os destinos (in)certos.
Enquanto os sons ocultos em minha mente se entrelaçam,
cantando histórias de rir e de chorar... sem ao menos se importar de me perguntar se as quero delas me inteirar.

E assim sigo, errante,
navegando pelo mar das incertezas,
aceitando que, mesmo sem destino,
há beleza no caminho. Cabe apenas a mim saber do joio o trigo conseguir separar.

 

Sentir seu coração

 

Ter entre as minhas as suas mãos.

É esse amor minha âncora forte, minha segurança... o que não me deixa pelo mundo me perder...

é minha resistência...

minha indizível calma...

meu porto seguro à vida a me prender...

meu tudo... minha essência, minh’alma.

 

É meu silêncio e quietude...

Vestígio da eternidade, me dando sentido

e razão...

Preciso desse amor: minha mente, minha razão, minh’alma calma e razão do pulsar do meu coração.

 

Preciso de toda essa ilusão!

 

Da solidão

 

Na decadência inata da solidão,

mais uma noite está a chegar.

Na imensidão da escuridão,

tento te encontrar.

 

O Sol vai se escondendo numa íngreme fenda no horizonte.

A primeira estrela… solitária e trêmula

bruxuleia preguiçosamente no céu que cinza se faz.

O que esta noite me traz?

 

Lembranças de meu coração sem vida batendo porque bater é sua função... tem, por imposição dos deuses, de adiante seguir.

 

Amanhece... porque assim o Universo dita suas leis...

Anoitece... porque o Sol tem do outro lado do Planeta brilhar...

Se assim não o fizer, todo tipo de vida vai lentamente acabar.

 

É uma imposição... questionar? Totalmente fora de questão.

 

 O aconchego de que se precisa não há onde encontrar... momentos de abrigo...também não há.

Só se vê mesmo distâncias que custam a chegar.

Instantes vazios de sons... dores e sofrimentos a gritar!

 

Do dia em que você partiu até hoje… consegui.

Mas… agora é mais forte em mim… estou achando que não vou mais conseguir.

Vai meu coração me trair? Haverá alguma lei que possa de simplesmente parar me proibir?

 

Entrelinhas da vida

 

Há a razão... há a emoção...

Qual delas meu objetivo primeiro alcança?

Sentimentos amenos em dias plenos...
A cadência do tempo traz esperança,
Enquanto o sol se despede, sereno.

Entrelinhas da vida, sussurros suaves...
Despedidas que vêm com o entardecer...
Um pôr do sol que pinta o céu com suas cores...
mais uma história de vida tecendo sua teia a cada anoitecer.

No horizonte, a linha lentamente se desfaz...
Trás dos montes, o eco profundo...

Venceu a razão... venceu a emoção...

Nos caminhos traçados pelo mundo?



A luz que cada ser guia, tão doce e fugaz,
revela o mistério de todo o mundo...

seus anseios... medos... esperanças...

Pavor de acabar trilhando caminhos pelo submundo

Em cada passo, em cada chegada... em cada despedida,
a vida se tece, entre sonho e dor.

Somos todos andarilhos da vida...

Vestidos em ouro... ou maltrapilhos...

Desvendamos a cada respirar... um passo por vez... as veredas do caminho...

Não há mapas... não há sinais a indicar a direção.
Somente um silêncio inaudível,
a nos guiar... ora pela razão... ora pelo coração.

 

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

 

Te esquecer

 

Te esquecer seria
de costas pra vida ficar...
a identidade de outro tomar...
minha personalidade sufocar...
a história da minha vida da história da humanidade apagar.

Te esquecer seria
nos caminhos da vida me perder...
a luz do dia não ver...

Te esquecer seria...

com o calor do sol nada aquecer
e pouco a pouco a vida em mim deixar morrer.

Te esquecer seria,
de todas, a minha maior covardia...
Mesmo assim me lembro todo dia
de te esquecer, minha alegria.

 

 

Palavras

 

Há palavras mal ditas…

não significa dizer que sejam malditas.

Há palavras bem ditas…

Não quer dizer que sejam benditas.

Mal dizes… meu coração se aflita...

Bem dizes… meu coração alegre fica.

 

Sentes meu coração

pulsando,

arrebatando

meus cinco sentidos?

Maldito não…

Bendigo sim… sempre teu meu coração.

Desde aqueles tempos idos… sempre os cinco sentidos.

 

 

 

No entardecer

 

Sons do entardecer...

Ondas marulhando ao longe...

Apenas o sol se despedindo,

no horizonte a se esconder.

 

Na areia que começa a esfriar,

desenham-se formas,

desejos e sonhos...

Sutilmente abrem a cortina

para a noite que vai chegar.

 

No tempo, uma promessa:

a noite que sua lide começa

traz a esperança de um encontro inesquecível…

Mãos que se entrelaçam…

Uma viagem pela imensidão do Universo.

 

Corações pulsando

Vida que se faz inteira.

Braços que se abraçam… se amando.

 

Natureza sempre nos ensinando...

Cicatrizes – tatuadas no corpo – são marcas de resistência e paciência...

De uma vida que vai pouco a pouco se transformando.