Caminheiro errante
Não, você nunca vai saber
quanto custa uma saudade,
talvez nem mesmo do peso a metade
e não, isso não é coisa de sua pouca idade...
Não, você nunca vai saber
se é melhor seguir o caminho sozinho...
Ou melhor é ser parte de um ninho?
Ruas desabitadas... árvores desfolhadas...
Cercas derrubadas... portas trancadas...
Não, você nunca vai saber se o que fez ou deixou de
fazer
é o que impediu de na vida vencer.
Se é melhor o verão... noites quentes
banhos de mar.
Ou melhor é o inverno eternamente a tudo ao redor
congelar...
Não, você nunca vai saber...
Se a chave na sua mão abre a porta certa.
O segredo da porta trancada...
Na incerteza das horas...
Você gira e gira...
É a dança (in)certa?
Uma oração incompleta... um objeto quebrado.
Um pedido negado... um sonho pelo vento levado...
Nisto está a poesia: será claro ou escuro o próximo
dia?
Caminheiro errante... tentando acertar sabendo que,
inevitavelmente, pode errar.
Entre sombras e aço... passos hesitantes...entre o
vácuo e o que se diz espaço.
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