quarta-feira, 19 de agosto de 2026

 

Caminheiro errante

Não, você nunca vai saber
quanto custa uma saudade,
talvez nem mesmo do peso a metade
e não, isso não é coisa de sua pouca idade...

Não, você nunca vai saber
se é melhor seguir o caminho sozinho...

Ou melhor é ser parte de um ninho?

Ruas desabitadas... árvores desfolhadas...

Cercas derrubadas... portas trancadas...

 

Não, você nunca vai saber se o que fez ou deixou de fazer

é o que impediu de na vida vencer.

Se é melhor o verão... noites quentes

banhos de mar.

Ou melhor é o inverno eternamente a tudo ao redor congelar...

Não, você nunca vai saber...

Se a chave na sua mão abre a porta certa.

O segredo da porta trancada...

Na incerteza das horas...

Você gira e gira...

É a dança (in)certa?

Uma oração incompleta... um objeto quebrado.

Um pedido negado... um sonho pelo vento levado...

Nisto está a poesia: será claro ou escuro o próximo dia?

Caminheiro errante... tentando acertar sabendo que, inevitavelmente, pode errar.

Entre sombras e aço... passos hesitantes...entre o vácuo e o que se diz espaço.

 

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