sábado, 22 de agosto de 2026

 

Caminheiro errante

 

 Não, você nunca vai saber quanto custa uma saudade, talvez nem mesmo do peso a metade... e não, isso não é coisa de sua pouca idade...

Não, você nunca vai saber se é melhor seguir o caminho sozinho...

Ou melhor é ser parte de um ninho?

Ruas desabitadas... árvores desfolhadas...

Cercas derrubadas... portas trancadas...

Não, você nunca vai saber se o que fez ou deixou de fazer

é o que impediu de na vida vencer.

Não, você nunca vai saber...

Se a chave na sua mão abre a porta certa.

O segredo da porta trancada...

Na incerteza das horas...

Você gira e gira...

É a dança (in)certa?

Uma oração incompleta... um objeto quebrado.

Um pedido negado... um sonho pelo vento levado...

Nisto está a poesia: será claro ou escuro o próximo dia?

Caminheiro errante... tentando acertar sabendo que, inevitavelmente, pode errar.

Entre sombras e aço... passos hesitantes... entre o vácuo e o que se diz espaço.

Segues tu, numa mescla de sorrisos soturnos, medos noturnos, esperanças desesperançadas... de dias de melodia... de estrelas escondendo elementos diurnos... expectativas concretizadas...

Num eterno jogo de tudo ou nada.

 

Rosangela

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