Um
conto de Natal
É dezembro. Os dias estão mais
compridos, o sol demora a desaparecer na linha do horizonte. As ruas da
cidadezinha, as praças, e muitas casas começam a pirilimpipar luzinhas
coloridas... árvores também piscam... piscam...
As ruas estão mais
movimentadas... gente pra lá e pra cá. Pacotes coloridos em todo lugar.
E as vitrines das lojas!!! Que
maravilha... como as pessoas amam deixar tudo tão lindo quando dezembro chega e
se aproxima a época mais feliz do ano – o Natal.
Pedro Luiz conhece todas as
ruas de sua cidadezinha... já brincou em todas as pracinhas... jogou futebol na
areia da praia... tomou muito banho de mar na praia que despeja suas ondas bem
em frente da casa onde mora.
Seu pai é pescador. Sua mãe
cuida de tudo em casa... comida gostosa, roupa cheirosa, machucados bem
cuidados e até o ajuda quando complica o dever de casa passado pela professora.
Pedro Luiz gosta de estudar,
gosta de ler... toda semana passa na biblioteca de sua escola e leva pra casa
um livro emprestado. Pedro Luiz é um bom menino: obediente, estudioso,
amável... e até já ajuda seu pai a lavar o barquinho, limpar os peixinhos... e
faz tudo com muito carinho.
Pedro Luiz tem 8 anos. Já
enviou três cartas ao Papai Noel em Natais anteriores... mas a sua bicicleta
nunca chegou em sua casa.
- ‘Ah! Papai Noel esteve muito
ocupado... ou... minha cartinha não chegou – afinal o Polo Norte é tão
longe’... e vai criando mil opções pela cartinha não respondida.
Mas ele não perde a esperança.
Todo dia, no caminho da escola, passa em frente à loja que vende brinquedos e
lá está a sua tão amada bicicleta... ‘uma hora Papai Noel vai atender meu
pedido’, pensa ele toda vez que a vê e seus olhos brilham como as luzinhas que
enfeitam a cidade.
Neste Natal Pedro Luiz teve
uma ideia genial. ‘E se eu enviar um Whatsapp pro Papai Noel... com certeza ele
vai ler e vai me atender’.
Mas, Pedro Luiz não tem
celular.
A ideia não sai de sua cabeça.
Como resolver?
Um dia, ele criou coragem,
entrou na loja e explicou a situação pra um vendedor, que o ouviu atentamente
com um sorrisinho de quem já havia ouvido aquela história dezenas de vezes por
muitas outras crianças. Afagou o menino e foi atender um cliente.
Pedro Luiz entendeu que aí não
havia encontrado a solução. Fazer o quê?
Só que a vontade de pedalar
por aquelas ruas sentindo o vento bater forte em seu rosto era muito... mas
muito forte. Então, no dia seguinte, reuniu mais um pouco de coragem, entrou na
loja, procurou o vendedor e perguntou pra ele se ele poderia enviar uma
mensagem pro Papai Noel do seu celular.
O vendedor já estava pronto
pra dizer um sonoro não... mas se lembrou de quando era criança e dos momentos
em que vários de seus sonhos tinham ido água abaixo em direção ao mar.
Resolveu resolver a situação
de Pedro Luiz. Escreveu uma mensagem ditada pelo menino, mandou pra si mesmo e
falou:
- OK, Pedrinho... feito. Agora
vamos esperar.
A semana inteira Pedro Luiz
passou na loja e nada de uma resposta positiva... nada de nada. Será que seu
sonho iria se afundar mais uma vez?
Os dias passaram e chegou a
véspera de Natal. Nada! Absolutamente nada!
Não havia outro jeito a não
ser se conformar. Quem sabe no próximo Natal?
A mãe preparou uma ceia
gostosinha, convidou tios e tias, primos e primas de Pedro Luiz e estavam ao
redor da mesa para saborear as delícias que estavam sobre a mesa.
Toc... toc.. toc...
O pai abre a porta... ‘será
que hoje teremos algum vizinho por aqui também?’ – pensou.
- Ho... ho... ho... boa noite
pessoal... é aqui a casa do Pedro Luiz? Tenho uma encomenda pra ele.
E tirou do carro uma caixa
enorme com um laço de fita maior ainda. Todos ficaram surpresos... ninguém na
família teria dinheiro pra comprar um presente daquele tamanho.
Pedro Luiz correu, segurou o
pacote (com ajuda do Papai Noel), rasgou o papel, abriu aquela caixa enorme
e.... sim... a sua bicicleta chegara.
Nem preciso contar da alegria
que foi aquele Natal, não é?
Um Papai Noel disfarçado de
vendedor? Ou... Um vendedor disfarçado de Papai Noel.
Não importa, né!?
Rosangela Calza