sábado, 19 de julho de 2025

 

Vidas de monges

 

Indecisamente não me decido... não me defino... não delibero.

O que pensar?

Adormecer, não mais acordar.

Nos braços de Orfeu, eternamente me deixar ficar.

Fechar os olhos... cerrar a consciência... não ver o tempo passar.

 

O que pensar deste mundo louco...

Está se desfazendo pouco a pouco.

Estradas desregradas... não sinalizadas.

Ruas sem saída. Becos de escuridão.

Portões fechados.

Casas com muros altos totalmente cercadas.

 

Não sei o que pensar.

Tenho medo... um frio percorre minha espinha...

Quase me desespero.

Nem sei mais se está certo o que quero... meus sonhos almejo rapidamente deles me esquecer.

 

Tenho abrandado os meus quereres.

Pra diminuir ao máximo o meu sofrer.

Tenho sentido que não há mais muito sentido... na vida, nos sonhos, no acordar todo dia e no adormecer quando o sol acabou seu trabalho fazer.

 

Esta vida!? Por que se está a viver?

 

Afastamo-nos bruscamente.

Apartamo-nos completamente.

Nada de abraços... nem apertos de mãos...

 

Trancamo-nos em nós mesmos.

Construímos redomas de vidro.

Camuflamo-nos em lúgubres poesias.

Invejamos as sombras que esbarram em nós sem nenhuma ostentação.

Ignoramos as batidas aceleradas do nosso coração.

 

Sempre... e apenas...

Um aceno de longe.

 

Vivemos vidas de monges.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário