quarta-feira, 29 de julho de 2026

 

Da noite

 

A noite vem às vezes tão perdida,
um véu silencioso que abraça o peito,
onde sombras se insinuam com a alma ferida, dorida...
e o tempo se perde em seu leito meio desfeito.

Quase nada parece bater certo,
as horas escapam, fugazes, incertas,
há qualquer coisa em nós, um deserto,
inquieta, lesão, entre portas abertas.

O que era fundo torna-se tão perto,
segredos antigos ecoam no escuro,
o coração pulsa um ritmo aberto,
um sussurro calmo, leve e puro.

Na penumbra, a dor encontra abrigo,
e a esperança nasce na ferida aberta,
pois, mesmo a noite, no seu perigo,
traz a promessa de uma manhã certa.

Assim, na noite perdida e silente,
floresce a alma, livre e presente.

 

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