Do desabafo
Manhã chuvosa... um friozinho lá fora
sugeria que o melhor mesmo era negociar com Deus e ficar debaixo das cobertas por mais uma
horinha... pelo menos ;)
Afofei o travesseiro, me encolhi
todinha... fechei os olhos... e
... toca o celular.
Já coloquei uma musiquinha que me
agrada... porque não gosto quando o telefone toca... pra dizer a verdade, meus
telefones – sim, meus, porque tenho quatro – estão ou sem bateria, ou
desligados, ou no silencioso... a maioooooor .... bem maioooooor parte do
tempo.
Converse com algum amigo meu ou colega de
trabalho pra você confirmar: todos dirão – ‘sim, é muito difícil conseguir
contato com ela por telefone...’ (mas isso é papo pra outro dia).
Sabe quando uma coisa tem de acontecer?
Ela acontece! Punto e basta.
Deixei a musiquinha tocar um pouquinho...
estava entre atendo, não atendo... a coisa que tinha de acontecer era eu não
deixar de atender ;)
Então atendi. Ah! Nunca olho o número
antes de atender...
Mariana... minha colega de profissão –
professora.
A sua voz era um misto de tristeza,
indignação, raiva... de um não saber mais o que fazer da vida.
Depois dos cumprimentos formais em que
todo mundo responde que está tudo bem... ela desabafou...
Vou fazer um resuminho aqui da nossa
conversa:
- Estou de saco cheio! Não aguento mais!
– disse ela.
O problema era a sua profissão... ingrata
profissão de professor (acho que isso depende do ponto de vista, mas falaremos
disso em um outro dia).
- Você já pensou em abandonar sua
carreira profissional? Porque eu já pensei mil vezes – perguntou ela, já
dizendo qual era seu pensamento.
Sim, claro... já pensei... e quem não
pensou? Já decidi enfaticamente uma centena de vezes mudar totalmente o
rumo da minha vida profissional... e já ‘desdecidi’ a mesma
quantidade de vezes... e quem já não pensou?
Às vezes o ‘desdecidir’ acontece minutos
depois de ter decidido seguir por um mar profissional nunca dantes por mim
navegado... doutras vezes... a ‘desdecisão’ vem um bommmmmm tempo depois.
Às vezes o ‘desdecidir’ vem depois de
alguém ter me mostrado que vale a pena no caminho conhecido continuar...
doutras vezes... sou eu mesma a enxergar que o melhor é deixar tudo como está e
continuar a professorar.
Professorar... uma arte cuja tarefa é
difícil demais pra quem nela se envolve por puro comodismo... falta de algo
melhor a fazer... ou pra ter dinheiro pra suas continhas no fim do mês poder
pagar.
Professorar... uma arte por cujos olhos,
coração, mãos passam todos (ou quase todos, né?) os cidadãos deste nosso
Planeta Terra.
A minha amiga Mariana?
Bom, ela desligou melhor depois do
desabafo...
porque às vezes a gente só precisa mesmo
é desabafar.
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