sábado, 18 de outubro de 2025

 

Num descanso eterno

 

Descansa.

Refugia se entre os lençóis alvos e perfumados.

Cama macia.

Assim passa o dia.

 

O sol brilha lá fora.

Aqui dentro penumbra.

Mas se veem os contornos dos objetos.

Vida abjeta.

 

Não tem mais cores orgulhosas.

Não aprecia mais o perfume das rosas.

Não sorri. Nem chora.

 

Passa o dia assim: num descanso eterno...

Mantém-se inânime ao porvir.

Não se importa com o que há de vir.

E, se nada vier, também está tudo bem.

Fechou o coração pra vida.

Submissa espera o relógio tiquetaquetear o tempo.

 

Espera.

Espera uma longa espera...

O derradeiro momento.

 

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