sexta-feira, 11 de setembro de 2026

 

É na saudade e na solidão

É na saudade e na solidão
que os silêncios, pouco sábios,
se escondem entre cartas sem retorno,
perdidas no tempo, vencidas pelo abandono...

Cartas que só vão.

Quando o beijo se faz sem lábios
e a mão procura o que não alcança,
a alma, cansada, sussurra baixinho:
“É chegada a hora da mudança, siga por este mundo perdido... não pare suas andanças”

Hora de vestir a prontidão,
de abandonar esta dimensão
tão bela, árdua, sinuosa e torta,
onde cada chegada anuncia uma porta.

É hora de encontros, de ir embora,
de deixar cair o peso do agora,
sem promessas, sem prêmios, sem donos,
pois a vida oferece apenas os seus insones sonhos.

E, quando o último suspiro se acalma,
que não haja medo, nem demora:
somente a entrada suave de uma alma
noutro mundo, noutra esfera,
onde a saudade já não chora
e a solidão, enfim, não espera...

Já sabe que tudo foi um dia... tudo era...

Sempre por eras e eras.

 

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