terça-feira, 15 de setembro de 2026

 

Viva o agora!



Viva o agora! Viva-o já!
Amanhã!? Bem, amanhã...
posso ser displicente
ser diferente
ou talvez eu me reinvente...
mudando pra sempre...
afinal, já falei... sou consistente
e vivo o presente...
e cada dia é diferente... concorda?

Viva o agora! Viva-o já,
antes que o instante se dissolva
nas esquinas invisíveis do tempo,
antes que o sonho se esconda
sob a poeira dos dias...

Sua vida, no tempo, é só uma fatia.

Amanhã? Bem, amanhã
posso ser displicente,
posso ser diferente,
ou talvez me reinvente,
mudando para sempre,
como quem troca de pele
sem deixar de ser semente.

Afinal, já falei: sou (in)consistente,
feito rio que segue adiante,

tropeçando nas pedras...
mas guardando nas margens
a memória de cada nascente.
Vivo o presente eternamente –
este milagre breve,
esta chama que arde
entre o que fui e o que serei.

O que sou... o que de ontem restou!

E quando penso ter partido,
quando o passado parece distante
e o futuro se abre, gigante,
há uma voz, terna e persistente,
que atravessa o silêncio,
me alcança de repente,
e ainda insiste
em me chamar pelo nome.

Então eu paro.
Respiro.
Escuto.

Porque talvez viver seja isto:
não fugir do tempo,
mas abraçá-lo no instante exato
em que ele passa –
e, por um segundo,
também com seus fios invisíveis ternamente me abraça.

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