domingo, 20 de setembro de 2026

 

Talvez eu não tivesse

 

Talvez o céu possa explicar
o silêncio que nasceu em mim,
quando as estrelas se apagaram
sem dizer se voltariam.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas, frias e mortas;
elas já foram rios abertos,
tocando o mundo com esperança,
acendendo manhãs em portas esquecidas.

Eu não tinha esse olhar perdido,
vagando entre sombras e distâncias,
procurando no rosto da noite
a luz que um dia me chamou.

Talvez o céu saiba onde escondi
as palavras que não consegui dizer,
os abraços interrompidos,
a coragem deixada à beira do medo.

Se houver uma estrela para mim,
que ela desça devagar,
como uma lágrima luminosa,
e repouse sobre meu peito.

Talvez então minhas mãos se lembrem
do calor de outras mãos,
e meus olhos, cansados de perder,
aprendam novamente a esperar.

Porque mesmo no fundo do silêncio,
há um coração, quase invisível,
batendo baixinho –
como quem ainda pede para viver.

 

 

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