sábado, 12 de setembro de 2026

 

Silêncios

 

Somos feitos de instantes que se dissolvem imediatamente no instante seguinte...

Ainda assim, amamos como se o tempo
pudesse aprender a deter seus passos,
como se os abraços fossem casas eternas
e os olhos, mapas para o reencontro.

Guardamos vozes no silêncio dos quartos,
perfumes adormecidos em roupas antigas,
risos que retornam quando a noite
abre suas janelas para a saudade.

Cada despedida deixa uma esperança escondida,
um pequeno incêndio sob a pele,
prova de que alguém passou por nós
e mudou, para sempre, a paisagem.

Talvez viver seja isto:
recolher o que o mundo leva,
beber a chuva dos dias perdidos
e seguir, mesmo com as mãos vazias,
carregando no peito a certeza
de que todo fim, ao desaparecer,
também prepara o instante
em que outra presença irá florescer.

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